Clube de Leitura – Resumo da última sessão, com Truman Capote e a sua Harpa de Ervas

«Subtilmente, enquanto o relógio de ouro ia compondo a sua melodia do tempo, a curva da tarde declinou para dar lugar ao crepúsculo.  A névoa do rio, uma neblina outonal, farrapos de tons lunares por entre as árvores cores de bronze, azuis, e um halo, uma imagem no inverno, cercavam o sol cada vez mais pálido …» p. 53 – Como presumir que um escritor descrevendo um rasgo de paisagem, um pormenor idílico, nos fala de vida tal como ela é?

É muito real para cada umas das personagens que vive a sua vida numa pacata cidade da América de meados do século XX, seja a irmã Verena Talbo que «não tinha um só amigo íntimo» e dedicava os seus momentos de descanso aos livros de contabilidade, seja a irmã Dolly Talbo, meiga e talentosa que usava as ervas dos montes para ajudar doentes, ou Catherine Creek, órfã desde pequena que foi servir para casa onde cresceram juntas «branca como os anjos de África»: ou o Dr. Morris Ritz, o «judeu manhoso» e Riley Hensersen «ruim e mau como as cobras». E o ridículo «grupo de notáveis»? o juiz, o reverendo, a sua esposa e o xerife?  E a Irmã Ida, mãe de 15 filhos «não era jovem, mas havia uma certa alegria no bambolear das suas ancas», pregadora pentecostal, que com os seus cânticos em assembleia ao ar livre causavam grande comoção no público?

É assim que o narrador e protagonista, Collin Fenwick, um órfão com onze anos que vai viver na casa das irmãs Talbo nos conta esta maravilhosa história, baseada num episódio de infância do autor, Truman Capote (1948-1984).

A obra permite uma leitura mais leve, como um conto infantil, com todos os elementos próprios deste género literário: a cozinha da casa, a comida e os piqueniques, os passeios em River Woods, a apanha das flores e plantas medicinais, a lenda da rainha cigana, a casa da árvore. Tem, no entanto, a outra leitura, mais profunda, mas muito bem diluída numa linguagem doce e aparentemente ingénua, onde se estampa o racismo, a descriminação, os preconceitos sociais e a hipocrisia. Com esta galeria de personagens, os seus dramas e caricaturas, é fácil perceber como este pequeno romance foi rapidamente adaptado ao teatro, logo no ano seguinte à sua publicação (1951).

Foi assim que os nossos leitores admiraram esta leitura. Alguém acrescentou que não queria que este livro terminasse e por isso deu por si a lê-lo duas vezes. Nós concordamos!


Foi uma reunião em cheio. Com o mote “para aquecer a alma e o coração”, cumprimos a 50ª edição deste clube iniciado a 13 de dezembro de 2014, nessa altura, pela vontade da nossa saudosa Rosária Grossinho – de quem lemos uma emocionada mensagem, que muito agradecemos.

Também recebemos a presença alegre da Srª vereador Alda Falca que presenteou ao CLBMPS com um troféu comemorativo.

E como não podia deixar de ser, todos os leitores que se reuniram à volta desta mesa partilharam doçuras desta época, antecipadas com um brinde de Espumante Miogo, simpatia do António.

Obrigados a tod@s!

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«Subtilmente, enquanto o relógio de ouro ia compondo a sua melodia do tempo, a curva da tarde declinou para dar lugar ao crepúsculo.  A névoa do rio, uma neblina outonal, farrapos de tons lunares por entre as árvores cores de bronze, azuis, e um halo, uma imagem no inverno, cercavam o sol cada vez mais pálido …» p. 53 – Como presumir que um escritor descrevendo um rasgo de paisagem, um pormenor idílico, nos fala de vida tal como ela é?

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