OS CRIADORES: UMA HISTÓRIA DOS HERÓIS DA IMAGINAÇÃO – Daniel J. Boorstin – o bibliótafo 1

Para contrariar as tendências bibliotáficas dos antigos bibliotecários, a Biblioteca Municipal de Ponte de Sor mostra e divulga o seu acervo. Hoje, damos destaque a um grande livro, OS CRIADORES: uma história dos heróis da imaginação.

«Os Criadores estende ao mundo da arte a trilogia encetada nove anos antes com “Os Descobridores”. Depois dos exploradores e cientistas, Boorstin debruça-se sobre os artistas. Com enfoque de novo dado ao mundo ocidental, reflecte sobre as conquista do homem em áreas como a arquitectura, a música, a pintura, a escultura e a literatura – e a forma como estas tem vindo a influenciar as nossas vidas. É ele quem o diz: “Esta é uma história sobre como criadores de todas as artes expandiram, embelezaram, fantasiaram e complexificaram a nossa experiência” do mundo. Passando por autores como Dante, Giotto, Shakespeare, Goethe, Verdi, Wagner, Beethoven, Voltaire, Dickens, Sartre ou Kafka, cobrem-se dois mil anos de história.» in Público

1.

Tit.: Os criadores: uma história dos heróis da imaginação

Tit.: Original: The Creators – A History of Heroes of the Imagination

Aut.: Daniel J. Boorstin

Trad.: Ana Isabel Afonso, Fernanda Pinto Rodrigues e outros

Rev.: Maria do Rosário Pedreira e José soares de Almeida

Edit.: Gradiva, 1993

Catálogo: BIBLIOTECA MUNICIPAL DE PONTE DE SOR

«Em algumas partes do mundo nem os pensadores mais profundos se debruçaram sobre o mistério da criação. As preocupações quotidianas ocupavam-lhes totalmente o pensamento e orientavam a sua filosofia. Prestavam pouca atenção aos enigmas da origem e do destino e também não se preocupavam com a eventual existência de outros mundos antes ou depois deste. Isso fê-los piores? A indiferença perante os mistérios da criação poupou-lhes energia para o trabalho neste mundo, mas foi também um sintoma de desconfiança em relação à mudança, uma relutância em imaginarem o novo.

“Se ainda não sabemos como servir o homem”, advertiu Confúcio (cerca de 551-479 a. C.), “como poderemos saber como servir os espíritos?” Quando lhe perguntaram “e quanto à morte?”, retorquiu “Se ainda não compreendemos a vida, como poderemos compreender a morte?” Admiramo-nos de que os chineses nos tenham deixado uma parca reserva de mitos sobre a criação? O único mito da criação que sobreviveu na tradição chinesa parece ter vindo por empréstimo tardio da Suméria ou do Rigveda.

Entre os grandes criadores, os grandes porta–vozes de ideais éticos, não existe ninguém mais miraculoso do que o próprio Confúcio. Não reivindicou qualquer fonte divina para os seus ensinamentos nem qualquer inspiração inacessível aos outros. Ao contrário de Moisés, Buda, Jesus ou Maomet, não prescreveu quaisquer mandamentos. Tal como o hinduísmo é um nome para as religiões da India, o confucionismo é um nome para as crenças tradicionais da família chinesa. Os rituais ou sacrifícios “religiosos” não eram presididos por um sacerdote profissional, mas pelo chefe de família, e os sacrifícios estatais eram conduzidos pelo chefe de estado. Confúcio sublinhava que se limitava a fazer reviver os ensinamentos antigos.

Confúcio não foi crucificado nem martirizado. Não conduziu um povo para fora do deserto nem comandou forças em batalha. Poucas marcas deixou na sociedade do seu tempo e poucos discípulos teve em vida. Tendo seguido a carreira de burocrata reformista e ambicioso, morreu frustrado. É fácil vê-lo como um D. Quixote da antiguidade, mas o fracasso da luta constante contra as iniquidades dos caóticos estados chineses daquele tempo despertou de certo modo o povo e acabou por dominar dois mil anos de cultura chinesa.»

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