CLBMPS | À Espera de Bojangles | Olivier Bourdeaut 1

4ª feira | 24 de abril | 18:00h

Á Espera de Bojangles | Olivier Bourdeaut

Tradução de Rui Santana Brito | Guerra e Paz

Ciclo Literatura Francesa 2018/2019

No Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Ponte de Sor, vamos continuar a conhecer a Literatura Francesa e os seus autores. Desta vez vamos conhecer um jovem escritor e a sua primeira obra, que se tornou um grande êxito quando foi publicado por uma pequena editora, a única que aceitou publicá-la.

«OLIVIER BOURDEAUT nasceu à beira do Oceano Atlântico, em 1980. Recusando compreender o que ele queria aprender, o Sistema de Ensino depressa o devolveu à liberdade. Nessa altura, graças à ausência de televisão em sua casa, pode ler com abundância e vaguear sonhadoramente quanto quis. Durante dez anos trabalhou no imobiliário, indo de falhanços a fiascos com um entusiasmo crescente. Depois, durante dois anos, transformou-se no responsável de uma agência de experts em chumbo, responsável por uma assistente mais diplomada do que ele e responsável de caçadores de térmitas, mas os insectos encarregaram-se de minar e roer a sua responsabilidade. Foi ainda abridor de torneiras num hospital e factótum de uma editora de livros escolares – na mouche – e apanhador de flor do sal de Guérande a Croisic, entre outras coisas. Sempre quis escrever. À Espera de Bojangles é disso a primeira prova disponível.» …da publicação

Para ver uma entrevista ao autor >>>

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«A sala era mesmo de loucos. Havia duas poltronas vermelho-sangue para os meus pais poderem beber com todo o conforto, uma mesa de vidro com areia de todas as cores no interior, um imenso canapé azul acolchoado para o qual era conveniente saltar. Foi, pelo menos, o que a minha mãe me aconselhou a fazer. Saltava muitas vezes comigo e com tanto ímpeto o fazia que chegava a tocar com a cabeça na bola de cristal do lustre repleto de velas».

À Espera de Bojangles, OLIVIER BOURDEAUT, p. 23

A canção Mr. Bojangles, de Nina Simone, acompanha toda a história do livro À Espera de Bojangles, é quase uma personagem, é um fio condutor.

ouvir Nina Simone, Mr. Bojangles >>>

Nina Simone- Mr Bojangles – Lyrics

I knew a man Bojangles

And he danced for you

In worn out shoes

With silver hair, a ragged shirt

And baggy pants, the old soft shoe

He jumped so high, he jumped so high

Then he lightly touched down

 

I met him in a cell in New Orleans

I was down and out

He looked at me to be the eyes of age

As he spoke right out

He talked of life, he talked of life

He laughed, and slapped his leg a step

 

Mr. Bojangles, Mr. Bojangles

Mr. Bojangles, dance!

 

He said his name, Bojangles

then he danced a lick across the cell

He grabbed his pants

a better stance

Oh, he jumped up high

he clicked his heels

He let go a laugh, he let go a laugh

Shook back his clothes all around

 

He danced for those

At minstrel shows and county fairs

Throughout the south

He spoke with tears of 15 years

How his dog and he traveled about

His dog up and died, he up and died

After 20 years he still grieves

 

Mr. Bojangles, Mr. Bojangles

Mr. Bojangles, dance!

 

He said I dance now

At every chance in honky tonks

For drinks and tips

But most of the time

I spend behind these county bars

He said I drinks a bit

 

He shook his head

And as he shook his head

I heard someone respectfully ask

Please

 

Mr. Bojangles, Mr. Bojangles

Mr. Bojangles, dance!

 

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Para contrariar as tendências bibliotáficas dos antigos bibliotecários, a BMPS mostra e divulga o seu acervo.

4.

Tit.: Nossa Senhora de Paris

Tít. orig.: Notre dame de Paris

Ilust.: Édouard Riou, 1833-1900

Aut.: Victor Hugo, 1802-1885

Trad.: [Gaspar, José da Natividade, 1904-?]?

Edit.: Livraria Bertand, 1980

Catálogo: BIBLIOTECA MUNICIPAL DE PONTE DE SOR (bm7227/821.134.1-31 HUG)

Ver no catálogo da BMPS >>>

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Hoje, dia em que fazemos o rescaldo da “Notre Dame” e em que as vendas do livro Nossa Senhora de Paris subiram em flecha, lembramos este grande livro de um notável vulto da cultura francesa, Victor Hugo (1802-1885).

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Diz-se que foi esta obra que salvou da demolição a Catedral de Notre Dame, no início do século XIX. Diz-se que foi essa a principal intenção de Victor Hugo, ao escrever este livro centrado neste maravilhoso monumento, cujas características góticas tanto apaixonava os românticos desse século.

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Assim escreve Victor Hugo, no Livro Terceiro, cap. I, Notre Dame de Paris, em 1831: «A Igreja de Notre-Dame de Paris é ainda hoje, com certeza, um edifício majestoso e sublime. Mas, não obstante ter-se conservado bela na velhice, é difícil não suspirarmos, não nos indignarmos diante das degradações e mutilações sem número pelas quais o tempo e os homens, simultaneamente, têm feito passar o vulnerável monumento, sem respeito por Carlos Magno, que lhe pôs a primeira pedra, nem por Filipe Augusto, que lhe pôs a última.» p. 125 da presente edição.

E continua…

«Mas quem derrubou as duas fileiras de estátuas? Quem deixou os nichos vazios? Quem talhou, mesmo no centro do pórtico central, essa ogiva nova e bastarda? Quem ousou colocar a insípida e pesada porta e madeira, esculpida à Luís XV? Os homens, os arquitectos, os artistas dos nossos dias

p. 133 «Acabámos de procurar reconstruir para o leitor , a admirável igreja (…) Indicámos sumariamente os tesouros que continha no século XV e que lhe faltam hoje …»

notre textoO enredo, as personagens, o retrato da sociedade parisiense, as tendências políticas que tanto enriquecem a obra, foram colocadas ao serviço deste objetivo maior que era  Salvar a Notre Dame de Paris. Com estaria hoje triste Victor Hugo, ao ver destruídas as entranhas desta “Senhora” que tanto admirava?

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Voluntários da Leitura – Sessão especial na Festa do Arroz

«Integrados na VI Edição da Festa do Arroz do Centro de Artes e Cultura de Ponte de Sor, os Voluntários de Leitura da Biblioteca Municipal de Ponte de Sor, realizaram uma sessão especial no evento, a qual foi do agrado do público presente.

Foi feita  a dramatização do conto “ A Pequena Tigela de Arroz” de Dharmachari Nagaraja por alguns voluntários e crianças  sob a coordenação e encenação de Rosa Vital.

O público presente ficou também a conhecer, através de  uma experiência realizada pela Voluntária Catarina Alexandre  como se põe arroz a saltar.

Foi  dado a conhecer ou relembrado, o jogo tradicional  “ Oh, Mamã, dá licença?”, onde para além dos passos conhecidos  ( gigante, caranguejo, tesoura e bebé), os voluntários acrescentaram um novo passo, o “ baguinho de arroz” para alegria das crianças presentes, as quais   puderam também aprender e  jogar.

Esta sessão dos Voluntários de Leitura, teve um sabor especial, pois inaugurou o novo palco fixo do Jardim do CAC, local que  se pretende intimista e  ligado à leitura e às artes.

A todos os envolvidos nesta sessão especial dos Voluntários de Leitura, e a toda a organização da Festa do Arroz, o nosso muito obrigado!

A próxima sessão será no dia 27 de abril. J Vem juntar-te a nós e participar nas nossas atividades.

Ler faz bem!J»

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43ª edição do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Ponte de Sor | abril 2019

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4ª feira* | 24 de abril | 18:00h

Á Espera de Bojangles | Olivier Bourdeaut

Tradução de Rui Santana Brito | Guerra e Paz

Ciclo Literatura Francesa 2018/2019

*excecionalmente

Em abril, o Clube de Leitura da Biblioteca Municipal continua a percorrer a atual literatura francesa. Desta vez, vamos conhecer À Espera de Bojangles, a obra inicial de um jovem escritor, que foi sucessivamente recusada para edição até que uma pequena editora a lançou para o mundo; no mesmo ano foi laureada com seis prémios de diversas instituições culturais, além de ter sido adaptado para rádio, teatro e Banda Desenhada.

Trata-se de uma história, supostamente verdadeira, embora salpicada de pequenas mentiras de duas pessoas magníficas, os pais do autor, cuja loucura e fantasia são tão grandes como o seu amor. É triste e alegre ao mesmo tempo: é uma caminhada doce e ternurenta contada pelo olhar maravilhado do filho que segue o casal que dança horas a fio, ao ritmo de Mr. Bojangles, de Nina Simone. A criança sabe desde muito jovem que esta não é uma vida normal, pois ele é o mais lúcido, o mais adulto, e por isso é capaz de enfrentar os dramas com muita coragem que baseia no amor forte da sua família.

É um pequeno romance que nos apanha pelo coração, pela escrita melodiosa, pelas personagens muito bem construídas, pelo bom humor, pela exuberância e pelo desespero, porque afinal, aquela que nas primeiras páginas era uma história aparentemente simples, vai-se revelando mais complexa e nos leva, subtilmente, à reflexão sobre a realidade que a loucura procura esconder.

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CLBMPS | Deserto | J-M. G. Le Clézio

A 42ª reunião do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Ponte de Sor foi dedicada a uma obra de J-M. G. Le Clézio, editada em 1980.

Foi unânime o prazer de termos lido um romance tão rico em imagens, em sons, em cheiros! É um livro brutal, podemos dizer pungente, com descrições cinematográficas capazes de nos fazer sentir com todos os sentidos. Sentimos o frio da noite, a fome de tudo, a violência do vento, a reverberação do silêncio, as cores da noite e a intensidade da luz no deserto.

Apaixonámos-nos pela força e coragem de Nour, um adolescente pertencente aos Homens Azuis, os últimos homens livres do deserto, escorraçados do Rio de Ouro, lá para as terras do sul, no início do século XX. Homens, mulheres, crianças, velhos, rebanhos de cabras e camelos arrastam-se numa caravana sem fim, expulsos pelos soldados franceses colonizadores, “os cristãos”. Apanhados entre a ganância de outras nações, rumam para norte na procura da cidade santa que lhes foi prometida, sem nunca a encontrarem. Nessa viagem épica através das areias do deserto a sede, a fome a exaustão vão dizimando vidas e criando personagens tão humanas e tão fortes, que nas condições mais extremas conseguem produzir milagres.

Mas também nos apaixonámos por Lalla, a jovem órfã que ama a liberdade acima de tudo: ela que, vivendo num bairro de lata, nada mais queria que subir as dunas, olhar para o mar, ouvir as histórias do velho pescador e procurar a companhia das cabras e dos pastores. É aí que se apaixona por Hartani, – o mais selvagem de todos os pastores, que não fala a linguagem dos homens, mas que tudo lhe diz com as mãos – que no entanto abandona para fugir ao casamento forçado com um homem rico da cidade, embarcando na corrente da imigração para a Europa nos meados do século XX.

Há ainda outras personagens e outras histórias tão atuais moldadas pela escrita lindíssima deste autor que não nos poupa aos detalhes, nem ao sofrimento, nem à beleza!

resumo da sessão

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