37ª edição do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Ponte de Sor | outubro 2018

cartaz

 

5ª feira | 25 de outubro | 18:00h

A Fronteira | Pascal Quignard

Tradução de Pedro Tamen | Quetzal Editores

Ciclo Literatura Francesa 2018/2019

Em outubro, o Clube de Leitura da Biblioteca Municipal continua a viajar através da literatura francesa, no entanto, desta vez, o autor transporta-nos a um episódio da história de Portugal, situado no século XVII.

Há umas décadas, François Quignard (1948-) apaixonou-se pelos extraordinários azulejos do jardim do Palácio Fronteira, em Lisboa. Este jardim está repleto de painéis de azulejos inteiramente inovadores para a época, nomeadamente alegorias seculares e cenas burlescas, irreverentes e libertinas, onde personagens humanas e animais travestidos, são presenças silenciosas e fantásticas que parecem estar paradas no tempo, à espera de espetadores para contar a sua história.

Em 1992, Pascal Quignard resolveu dar conta desse fascínio numa pequena novela a que deu o nome “A Fronteira”. A história é rica em personagens, descrições, reviravoltas, tudo escrito num estilo soberbo. Apesar da dimensão reduzida da história, que circula à volta de um triângulo amoroso, o autor rodeia-a de um conjunto de outras personagens ricas e interessantes, como é o caso do Rei João IV, acabado de sair vitorioso das guerras da Restauração ou o Marquês de Fronteira em cuja casa se passam muitos dos momentos mais significativos da intriga.  Foi através dos azulejos, cuja originalidade temática é surpreendente, que o autor construiu uma intriga que ressuscita enigmas e revela parte do mistério dessa época. Quignard contrabalança a brutalidade dos costumes no século XVII em Portugal com a elegância clássica e simples da sua escrita. (Baseado na publicação)

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CLBMPS | O Outro Mundo ou os estados e impérios da Lua | Cyrano de Bergerac 3

Ontem, ao fim da tarde, ocorreu mais uma reunião do Clube de Leitura da Biblioteca Municipal de Ponte de sor. O motivo foi um livro especial, com o qual demos início ao ciclo dedicado à Literatura Francesa.

Com Cyrano de Bergerac, tivemos umas horas a dissertar à volta do seu olhar “lunático” sobre o mundo em meados do século XVII. O autor serve-se de uma viagem imaginária à Lua para escrever um relato fantástico e corajoso; toda a viagem e a estadia do narrador / personagem na Lua é marcada pelo confronto de valores morais, políticos, sociais e até metafísicos entre os humanos da terra e os seres lunares.1

É através da visão e do confronto com as outras personagens que vai encontrando na lua, que o autor relativiza e por vezes ridiculariza a religião e os seus dogmas, a filosofia, a ciência e a moral social vigente. É, pois, através de imagens literárias recheadas de fantasia, que surgem como que diálogos satíricos e teatrais, que Cyrano aborda questões como o heliocentrismo, a infinidade do universo, a constituição da matéria e a relação de poderes. Todos concordámos que Cyrano defende corajosamente a liberdade de pensamento, mas o que unanimemente nos provocou espanto foi a sua visão utópica e futurista da vida que imaginou para estes seres lunares, onde, por exemplo, a comida é servida sob a forma de vapor; as casas podem mover-se através de sistemas de rodas e velas, consoante as estações; os livros são caixas sem carateres nem papel (podendo ser ligadas aos ouvidos e ser levados para todo o lado);  a luz é captada do sol;  os filhos tem autoridade sobre os pais a partir da idade da razão, etc. Um livro a reler, com muito gosto!

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«Para contrariar as tendências bibliotáficas dos antigos bibliotecários, a BMPS mostra e divulga o seu acervo.  Hoje damos destaque a um livro escrito no séc. XIX, polémico, mas delicioso.

«Portugal de Relance, livro célebre, mas desconhecido, cuja 1ª edição portuguesa data de 1881, ainda por certo terá muito que contar no que tange ao caso mental português – para além da teia de curiosidades que revela e do teor pitoresco com que Aquilino o pintava nos anos 50. Cento e dezasseis anos depois (…) o pano de fundo mental em que desabou a polémica provocada pelo livro da srª Rattazzi parece, por conseguinte, não se ter alterado em substância, podendo a gente clamar: este país que afeta modernizar-se  de pé no acelerador e orelha colada ao telemóvel, se assim muda a toda a brida, é sobretudo para ver se consegue não mudar».

«A Rattazzi, que passou dois invernos a desfrutar os literatos de Lisboa, publicou agora um livro sobre Portugal, delicioso. Imagine uma parisiense descrevendo ao vivo, estes mirmidões! Não se fala noutra coisa, e está tudo furioso. Antero de Quental, carta a João Lobo de Moura, 19 de janeiro de 1880.» (Retirado da publicação)

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2.

Tit.: Portugal de Relance

Tit.: Original: Le Portugal à Vol d’Oiseau

Aut.: Maria Rattazzi

Trad.: Anónimo

Actualização do rext, introd. e notas: José M. Justo

Ilustrações: coligidas pela Antígona para a presente edição

Edit.: Antígona, 1997, 494, [9] p. 

Catálogo: BIBLIOTECA MUNICIPAL DE PONTE DE SOR

Nos anos 70 do século XIX, mais precisamente em 1876 e 1879, viajou por Portugal uma turista muito especial: Maria Letícia Studolmina Luyse, princesa (1833-1902). Filha do diplomata inglês Thomas Wyse e de Letícia Bonaparte, casou três vezes e do segundo marido adotou o apelido literário Ratazzi. Em resultado dessas visitas, nas quais reunia abundantes notas e apontamentos publicou, em 1879, em França um livro com o título “Le Portugal a Vol d’Oiseau, Portugais et Portugaises”. Esta obra provocou uma grande polémica, porque as opiniões acutilantes vindas de uma mulher, Continuar a ler

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CLBMPS | O Outro Mundo ou os estados e impérios da Lua | Cyrano de Bergerac 2

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Afinal, não foi o Nicholas Kurti (um físico húngaro, professor de Oxford) nem o Ferran Adrià (Restaurante El Bulli) que inventaram a cozinha molecular; foi o nosso Cyrano de Bergerac que, muito provavelmente os inspirou, lá nos anos de seiscentos…

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CLBMPS | O Outro Mundo ou os estados e impérios da Lua | Cyrano de Bergerac

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Eis um pequeno trecho representativo do sentido de humor satírico do nosso autor, Cyrano de Bergerac, desafiando convenções científicas, sociais e religiosas em pelo século dezassete; era corajoso, de certeza!


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